Escravo do dinheiro

Uma vez, quando eu tinha uns vinte e poucos anos, arrumei uma confusão com o porteiro do Minas Tenis Clube por uma bobeira sem nexo. O que era pra ter sido uma tarde agradável, se tornou um pesadelo pra mim pois eu estava muito chateado com a maneira que ele havia me tratado, e aos meus familiares. Passado um tempo e um pouco mais calmo, juntei-me ao meu padrinho que me chamou pra uma conversa e me disse. Ele é velho. É um simples porteiro. Você não sabe das amarguras que ele tem carregado, portanto não deveria deixar pessoas assim te tirarem do sério por qualquer coisa. Eu sempre penso nisso quando alguém tenta me diminuir, mas hoje eu  fiquei bem chateado com uma pessoa do meu Instagram. Porque já é a terceira vez que esse borra bosta faz um comentário maligno em algo meu. Não sei nem porque ainda deixava ele ver minhas paradas.

Quando eu pedi as contas da Secretaria em 2013, meu acerto foi de mais ou menos uns 17mil reais. Eu comprei a passagem pra cá e paguei uma dívida monstra do pai, que na época tava ganhando bem mal, e só me sobrou uma grana q eu converti para 700 dolares. Era tudo o que eu tinha.

Ao chegar nos EUA, meu dinheiro acabou rapidinho, pois tive que comprar muita coisa, nao tinha nada. Arrumei um emprego como gerente de um stripclub e dormia por la mesmo. O bairro era longe de tudo e eu sem carro, passava o dia inteiro ilhado naquele lugar. Fui juntando minha grana aos pouquinhos e com alguns meses, comprei um Dodge Neon velho por 1500 dolares. Era minha carta de alforria. Amava aquele pratinha.

Conheci nesse bar, uma pessoa muito especial para mim: Vincent Kevin Lee. Também conhecido com DJ. Ele me “adotou” e me deu uma profissao para que eu pudesse sair daquele stripclub nojento. Era um empresa que fazia manutenção em postos de gasolina e sistemas de abastecimento. Entrei de cabeça naquilo e me fiz técnico certificado da Gilbarco – Veeder Root em pouco tempo.

Numa bela manhã de sol, a empresa faliu e eu fui mandado embora. Fiquei sem grana e sem emprego, mas ainda tinha meu carrinho. Virei Delivery de Sushi na cidade onde atualmente moro. O din era pouco, 200 por semana, mas dava pra pagar o aluguel de um quartinho em um basement.

Consegui fazer contatos, amizades, e através de um amigo em comum, conheci meu atual patrao e comecei a trabalhar no piso de madeira. Mais uma vez, tive que me reinventar e aprimorar e masterizar uma nova profissão. Fiquei bom, ganhei a confiança do chefe. Muitos chegaram e foram embora, eu to ali firmão, emprego estável e nem ganho tao mal. Aos pouquinhos, fui conquistando minhas coisas. Mas nunca deixei de olhar pra trás. Daí vem um boçal no meio da minha luta, me falar que eu me tornei escravo do dinheiro.

Cara, eu moro no melhor predio da cidade, e mais bem localizado. Pago sempre tudo em dia, todas as contas. Hoje eu rodo de Benz tbm, mas eu que comprei. Pago meu telefone e o da mãe, que é a unica despesa que ela tinha, pois mora em casa própria com o marido. Acabei de dar um iphone Xmax pra mae. Mandei um pro pai. To trazendo a sister pra disney, No Brasil, o pai nao tira um real do bolso pra pagar conta, eu deixo a grana dele pra ele gastar com as paradas dele, afinal ele ja trabalhou demais, ta na hora do alívio. Eu pago tudo, cabo, luz, condominio. E ainda temos uma conta no mercadinho da esquina que eu pago tb de tempo em tempo. A sister ta fazendo Federal, eu mando pra ela a grana pro rolê. E o que tem sobrado, to investindo pesado na minha companhia: Muzzi Tech Toys. Eu só espero que esse business dê certo, pois assim, poderia melhorar ainda mais o nível dos meus la em casa.

Resumindo, minha vida sempre foi um corre desgraçado. Aprendi desde moleque o valor de um job fraga? Agora, esse boçal estudou direito comigo na Milton Campos. Morava no Belvedere, papai pagava tudo. Eu ia da Sectes pra faculdade de onibus, e pra voltar pegava mais 2. Chegava de madruga e no outro dia as 7 era tudo de novo, mas eu nunca me queixei. Esse mané só rodava de Mercedes. Papai era dono de uma grife qualquer lá no BH Shopping. E sempre caçoando ou fazendo alguma piadinha dos meus corre. Mas eu to benzaço hoje velho. Nem esquento. Contas todas pagas. Carteira até pulando dolar, ap cada vez mais equipadaço. Brasil tudo ok com o pai. E tudo isso sem ajuda de ninguém. Os caminhos que eu abri, nem com ajuda esse ridículo percorreria. Mas eu não sou de ficar batendo boca em rede social, sou melhor que isso, e não nunca vou deixar um comentário de um qualquer tirar o segundo valor mais importante que meu veio me ensinou: a dignidade. Consegui minhas coisas de forma honrada e honesta, e se hoje eu posso ajudar os lá de casa eu fico muito feliz e peço sempre a Deus, a noite quando eu durmo, força pra acordar no outro dia e trabalhar firme e forte na conquista das minhas paradas. Era só um desabafo, tenho q voltar a postar mais nessa porra. Fui.

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