Meia noite em Belo Horizonte

Quem sabe nós somos a vanguarda
de uma nova geração
A ressonância percorre as nossas veias
Pulsando em um mesmo tom

Semana passada eu fui assistir ao filme “meia-noite em Paris” estrelando o grande sucesso (sem sarcasmo) de Owen Wilson. No filme, o protagonista é um roteirista hollywoodiano que viaja com a noiva/namorada (não me lembro muito bem) para a França, e lá começa a escrever um romance sobre um cara que trabalha em uma loja de objetos retrô e antiguidades. O protagonista vive um conflito do passado com o presente, pois é facinado com o antigo e o presente não o atrai muito, até que ele pega um taxi mágico que o leva ao século 20 sempre à 00h00. Assista ao filme e tire suas conclusões.

Apesar de gostar muito, não sou um bom crítico de cinema, motivo pelo qual não vou me valer de mais detalhes sobre o filme, mas acho o tema abordado muito interessante, pois volta e meia me pego conversando com algum amigo sobre “como antigamente as coisas eram melhores”. As pessoas tendem a se agarrar de certa forma ao passado, ou a uma determinada época em que elas “eram felizes e não sabiam”. Esse mundo de “” que vou abrindo é pra evidenciar o que eu sempre escuto e não dou muita razão. Discurso nostálgico pronto pra mim é imcompletude do pensamento e falta de vontade/coragem pra seguir em frente. Como músico amador que sou, falo muito de música e percebo que quem tem o mesmo gosto musical que eu, tende a achar que a música está morrendo e que já não se fazem mais músicas como antigamente, e, principalmente,  que hoje qualquer zé mané faz uma música tola e vira sucesso. É verdade! em parte concordo, mas devo discordar que a música esteja morrendo. A música nunca vai morrer se separarmos devidamente o joio do trigo. Não é só porque o cara que você gosta de ouvir não está nas rádios ou no D*m*ngão do ****** que não tem música boa por aí. Hoje em dia é muito mais fácil conseguir música legal e ilegal do que antigamente. Me lembro que na minha adolescência (hoje tenho 23), não havia internet e eu tinha que juntar grana pra comprar meus kassetes e meus vinis, e posteriormente meus CDs.

Eu trocaria meu dinheiro pra voltar no tempo

Se o passado eu pudesse mudar

A música não morre, o que morre é a nossa vontade de procurar o que a mídia não divulga. Queremos que tudo venha a nós. Estamos acostumados com isso. Cadê aquele romantismo de pegar um CD ou um vinil e ler o encarte enquanto se ouve a música? Você para escutar música, ou o faz paralelamente a uma outra atividade? Cadê aquelas festas no apê, aonde rolava um Rock ‘n’ Roll e todos fechavam os olhos no escuro, ao som da guitarra distorcida e da voz do Roger Waters e do Syd Barret?

Quando penso que a música poderia dar um salto de qualidade, penso que eu posso ser aquele que vai fazer isso. O mundo hoje muda muito depressa com a velocidade da informação e há muita coisa a ser escrita. Há muita coisa boa a ser lida também. Não vai sair nada de novo se ficarmos presos a uma época, porque escrevemos e expressamos o que vivemos, e vivemos no hoje. Quem vive do passado é professor de história. Se tá tudo ruim, bom pra nós, estamos com a estrada limpa a frente e podemos ser os melhores de nosso tempo, acho que já somos estes vanguardistas. Estamos com a faca e o queijo na mão, mas preferiomos comprar aquele que já vem cortado e plastificado. Vou escrevendo minha música e continuando com as minhas composições independente do que tá pintando por aí nos dias de hoje. Pior seria ter que competir com Bethoven, The Beatles, Pink Floyd, EngHaw, Oasis, Queen, Gun’s… esses caras são samurais, faixas pretas… eu ainda estou graduando na arte de falar o que penso.

Me despeço deixando a letra de uma música que compus a uns anos atrás.

Um lugar diferente, um humor diferente
Uma alma carente, uma idéia latente
transparências que um sorriso não consegue esconder

O cansaso das horas fixado na mente
o melhor da rotina é o furor eloquente
de uma piada na lanchonete

Mas quem se julga onipotente falou
que o trabalho enobresce o homem
e quem sou eu pra duvidar?

O seguro já morreu de velho
e enquanto eu puxava carroça
a minha Dulcinéia fugiu com um velho burguês

Corra enquanto é tempo, não conte a sorte
Não fique parado, esperando pela morte
Deixando sua vida virar….uma reprográfica

Mas quem se julga onipotente falou
que o trabalho enobresce o homem
e quem sou eu pra duvidar?

Eu não sou pago pra sonhar
não recebo pra pensar
também não ganho pra falar
O meu dinheiro é pra comprar

Eu não sou pago pra sonhar
não recebo pra pensar
também não ganho pra falar
e a minha vida é uma reprográfica

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