As novas leituras de Dom Quixote

Dom quixote, personagem do livro de cervantes
Dom quixote, personagem do livro de cervantes

É por amor às causas perdidas que eu jogo embalagens no lixo, apesar de olhar ao meu redor e ver tanta poluição, tanto descaso com o nosso planeta. Não é somente para não poluir, mas é que a sujeira é tão feia comparada com a beleza de um mundo verde que eu acho que fomos perdendo a sensibilidade com o passar do tempo….

É por amor às causas perdidas que eu gosto de tudo o que é velho, inclusive os velhos, pois negar as nossas origens, é negar o que somos, então temos de aprender a respeitar e a amar os mais velhos que a gente (especialmente nossos pais), dando-lhes um espaço em nosso mundinho egoísta e tecnologico, portanto sempre cedo meu lugar a pessoas mais velhas nos ônibus, homens ou mulheres, que seja. Fico triste em reparar que andando pela cidade encontro jovens como eu que só ajudam ou facilitam a vida de mulheres de certa beleza estética, o que prova como nós seres humanos somos hipócritas…..

É por amor às causas perdidas que eu continuo escrevendo textos críticos como esse no lugar de escrever sobre coisas que as pessoas acham realmente importantes; como os “affairs” dos famosos de Hollywood. Acredito, acima de tudo, que mesmo que não tenha ninguém pra ler minha besteira, vale a pena expressar pensamentos, pois Shakespeare já dizia que depois de algum tempo você aprende que falar pode aliviar dores emocionais e eu acredito que alguém algum dia pode se interessar em saber que alguém realmente se importava……..

É por amor às causas perdidas que eu aguento a opressão imposta a mim pelo capitalismo destruidor de almas, e enfrento honrosamente a jornada de trabalho e estudo, pois a vontade que tenho é de mochilar até algum cantão neutro da Suíca e deixar o circo pegar fogo aqui, pois locomover-se é muito fácil, basta andar até aonde a estrada te leva, e um pouco mais adiante, e quando tiver fome, arranja algo no mato pra comer…só nao pense que eu sou apenas mais um acomodado pacífico…é que se eu não ficar e lutar, talvez ninguém mais fique, e tudo aquilo que eu sonho seja para o meu sempre apenas um sonho….

É por amor as causas perdidas que gosto de ser brasileiro apesar de viver em país tão desigual, aonde temos poucos muito ricos, e milhões de pessoas que pensam no amanha sem esperança.

É por amor às causas perdidas que eu converso com mendigos, “tomadores-de-conta de-carro”, “formiguinhas da limpeza” e “pivetinhos no sinal”, afinal, está cada dia mais escasso o número de pessoas que os consideram seres humanos, e lhes deêm um mínimo de atenção que é o que todos precisam, basta escutar-lhes um pouco, realmente ouvirem o que eles tem a dizer ( eu garanto, por experiencia que a maioria nos ensina valiosas lições se não formos tolos o bastante para julga-los inferiores).Tenho muito pouco, mais preciso de muito menos do que tenho para fazer um ser humano sorrir, nem que for por um instante, fazer-lhes esquecer a amargura da vida e vislumbrar um horizonte feliz..

Dom Quixote era um pequeno fidalgo castelhano que perdeu a razão pela leitura assídua dos romances de cavalaria e pretende imitar seus heróis prediletos. O romance narra as suas aventuras em companhia de Sancho Pança, seu fiel amigo e companheiro, que tem um perfil mais realista. A ação gira em torno das três incursões da dupla por terras de La Mancha , de Aragão e de Catalunha lutando contra moinhos-de-vento acreditando que fossem dragões e sempre procurando donzelas em perigo. Nessas incursões, ele se envolve em uma série de aventuras, mas suas fantasias são sempre desmentidas pela dura realidade. O efeito é altamente humorístico.
O verdadeiro nome do pobre fidalgo é Alonso Quijano (Quixano), chamado pelos vizinhos de o Bom. Já de certa idade, entrega-se à leitura desses romances e sua loucura começa quando toma por realidades históricas indiscutíveis as façanhas dos personagens dos livros, as quais comenta com os amigos, o cura e o barbeiro do lugar. Quijano investe-se dos ideais cavalheirescos de amor, de paz e de justiça, e prepara-se para sair pelo mundo, em luta por tais valores e por viver o seu próprio romance de cavalaria. Escolhe um título para si mesmo, o de Don Quijote de la Mancha, apelida um cavalo velho e descarnado com o nome de Rocinante e elege como dama ideal de seus sentimentos uma simples camponesa a quem dá o nome de Dulcinea del Toboso, suposta dama de alta nobreza.

Durante grande parte do meu dia me sinto como Dom Quixote ao tentar reviver a gloria dos velhos dias que nunca tive, tentando lutar contra a obsolecência programada que é aceita pacificamente pela massa. Pode até ser que os dragões sejam moinhos de vento mas por amor às causas perdidas eu continuo a lutar…

Vandalismo, pichações, escandalos, corrupção, pobreza, fome, desemprego, roubo, dogmas religiosos, assassinatos dentre outros não estão na lista de preocupações dos meus falsos amigos que veem as amizades como uma grande rede social com interesses camuflados, nem que sejam puramente ideológicos. Ainda assim luto para que essas pessoas comecem a se importar mais com o mundo em que vivemos e torço para que você também seja mais um que luta por amor às causas perdidas.

amor as causas perdidas

Um comentário sobre “As novas leituras de Dom Quixote”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s